Uma antiga disputa territorial entre os estados de Mato Grosso e Pará voltou a ganhar força nos bastidores políticos e jurídicos do país. O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para o próximo dia 21 de maio uma audiência de conciliação que pode definir o futuro de uma área de aproximadamente 22 mil quilômetros quadrados localizada na divisa entre os dois estados.
O conflito, que se arrasta há décadas, envolve uma região considerada estratégica por conta do potencial econômico, presença de propriedades rurais, exploração mineral, atividades do agronegócio e arrecadação de impostos. A discussão ganhou novo capítulo após o Governo de Mato Grosso apresentar recurso questionando uma decisão anterior do próprio STF que havia mantido o território sob domínio paraense.
O ponto central da polêmica está na localização exata do Salto das Sete Quedas, no Rio Teles Pires, referência histórica usada desde o início do século passado para delimitar a fronteira entre os estados. Mato Grosso alega que houve erro na interpretação dos marcos geográficos definidos em documentos históricos assinados ainda em 1900.
Caso o entendimento defendido pelo estado mato-grossense seja aceito, a linha divisória poderá ser alterada em cerca de 140 quilômetros ao norte, modificando significativamente o mapa territorial da região.
A área em disputa envolve municípios paraenses como Jacareacanga, Novo Progresso, Altamira, São Félix do Xingu, Cumaru do Norte e Santana do Araguaia. Além das questões geográficas, a decisão poderá impactar diretamente produtores rurais, moradores, arrecadação tributária e até futuras licenças ambientais.
Nos bastidores, lideranças políticas acompanham o caso com atenção. Especialistas avaliam que uma eventual mudança territorial poderia gerar efeitos econômicos bilionários para ambos os estados, especialmente em razão do crescimento do agronegócio e da valorização das terras na região Norte do país.
A audiência convocada pelo ministro Flávio Dino terá participação de representantes dos governos estaduais, União, assembleias legislativas e municípios envolvidos. A tentativa do STF é buscar uma solução conciliatória antes de avançar para uma decisão definitiva sobre o caso.
O desfecho poderá entrar para a história como uma das maiores redefinições territoriais entre estados brasileiros nas últimas décadas.